A furore Normannorum libera nos, Domine.

"A furore Normannorum libera nos, Domine" «Liberta-nos, Senhor, da furia dos homes do norte» 

(Oraçom empregada na Idade Media trâ-las primeiras invasions vikingas).


Últimamente estam sendo partilhados moitos artigos, mapas e informaçom variada em diferentes grupos do Facebook (e mais noutras redes sociais) sobre as incursons vikingas na Europa. Nom em todas, mais sim em moitas destas partilhas, hai comentários e informaçons que deturpam a realidade histórica da Galiza naquela época como som a ocultaçom do reino ou o nome verdadeiro do território, substituído por outros, ou a negaçom da importância da Galiza para os vikingos em base a um suposto pouco interesse pola nossa terra (devido, seica, a umha tamém suposta falha de recursos ou riquezas que esta lhes puidera oferecer).

Primeiro de todo, pido desculpas de anteman pela extensom do texto que vou desenrolar a continuaçom mais coido que, deste jeito, ficará máis compreendida a verdadeira importância da Galiza e a significaçom que esta tinha no imaginário nórdico ao serem refletidas em grande cantidade de crónicas e Sagas. Ademáis, estou bem seguro de que a alguns de vós seravos de interesse algumha da informaçom que vou partilhar. Os dados fidedignos e argumentados com mençons históricas som a melhor ferramenta para contradizer aquela deturpaçom histórica.

Indo á cuestiom, e segundo as minhas contas, cando menos forom oito as incursons vikingas a grande escala na Galiza agrupadas numhas catro vagas.

A primeira da que se tem nova histórica fiável aconteceu nos tempos do rei de Galiza Ramiro I ("Ranimirus filius veremudi rex gallecie") concretamente a começos do mês de Agosto do ano 844, cando os normandos (entendido como "os homes do norte"), trás saquear várias aldeias e portos costeiros, forom derrotados perto do Farum Brecantium (a chamada hoje Torre de Breogám ou de Hércules) ao cal eles chamavam-lhe "Fár". Algumhas fontes nórdicas falam que estes vikingos estavam liderados por um tal Horrich, encanto outras referem a outro vikingo de nome Wittingur. O que si semelha seguro é que os nórdicos sofrerom numerosas baixas causadas pelo exército galego e que forom queimadas umhas 70 naves de guerra normandas.

Os "Annales Bertiniani" ou de San Bertín, umha crónica franca atopada na abadia de Saint-Bertin, na regiom de Nord-Pas-de-Calais, França (considerados umha continuaçom dos moi importantes "Annales regni Francorum" que foram ordeados escrever por Carlomagno), e que cobrem o período entre o ano 830 e o 882, dam-nos conta deste feito:

"Nordomanni per Garrondam Tolosam usque proficiscentes, praedas passim inpuneque perficiunt. Unde regressi guidam Galliciamque adgressi, partim ballistariorum occursu partim tempestate maris intercepti dispereunt".

Em galego: "Os normandos marcharom pelo rio Garona até chegar a Toulouse, e fixerom depredaçom com impunidade aló por onde forom. De onde regressarom para dirigir o ataque a Galiza; [aló] em parte pelo encontro cos balistas e em parte pela tormenta do mar, interceptados perecerom". Um aviso, já de primeiras, de que na Galiza as cousas nom íam ser tam doadas como lhes foram na França.

Fala-se de que parte deste vikingos acadarom entrar no território galego e que forom derrotados, dous anos depois, na conhecida como Batalha de Camporramiro perto de Chantada, pelo exército do referido Rei Ramiro mais nom existe documentaçom histórica sobre este feito máis aló do que poida significar a toponimia. O que si quedou registrado nas crónicas é que os vikingos supervivintes da batalha brigantina continuarom navegando cara o sul chegando a Lisboa o 20 de Agosto de 844 onde ficarom 13 dias batalhando cos árabes na contorna da cidade.

A segunda grande incursom á Galiza aconteceu baixo o reinado do filho de Ramiro I, Ordonho I ("mortuus est Ranimirus filius veremudi rex Gallecie et filius eius Ordonius successit in regno").
Concretamente, no ano 858 subiu psla Ría de Arousa e pelo rio Ulha umha grande flota de 100 naves comandada, moi provávelmente, pelo famoso Bjørn Jærnside (Costado de Ferro) Ragnarsson e mais o seu irman Hastein (filhos, segundo a Gesta Normannorum Ducum, os Annales Bertianini e o Chronicon Fontanellnse, dum vikingo chamado Raghnall e que alguns historiadores identificam como o semilendário Ragnar Lothbrok ou Lodbrok). Os vikingos acadarom saquear a diócese de Iria Flavia e mesmo chegar a Compostela á cal sitiarom e assediarom pedindo o pagamento dum rescate em troques de evitar o saqueo, e para o levantamento do sitio. A cidade de Compostela pagou o tributo mais os vikingos decidirom continuar co sítio, na procura do saqueo, até que um exército dirigido pelo conde galego Pedro Theon, ou Petrus Theon (pai de Vimara Peres, o primeiro Conde de Portucale), derrotounos e perseguiunos destruíndo 38 dos seus barcos.

Disto, ademáis das crónicas e sagas nórdicas como a famosa "Ragnars saga loðbrókar", falam-nos tamém as crónicas cristiás como a "Chronica Albeldensia XV 11.11" cando di que "Ejus tempore Lordomani iterum uenientes in Gallicie (ou Galaeciae/Galaetae/Gallecae dependendo da transcriçom consultada) maritimis a Petro comite interfecti sunt" (no seu tempo os normandos, que vinheron por segunda volta, forom exterminados na costa de Galiza pelo conde Pedro) ou o "Chronicon Iriense" cando di "...centum naues normannorum in Galletiam uenerunt..." (un cento en naves dos normandos vinherom a Galiza). Vemos na Crónica Albeldense que, efectivamente, as cousas nom lhes eram tam doadas para os vikingos na Galiza. Tendo em conta, ademáis, que o próprio Bjørn Jærnside semelha ser o culpable do violento ataque a Pamplona, onde rematou coa vida de moitos "baskunis" ao tempo que secuestrava ao rei de Navarra, García I Íñiguez, por quem pidiu um rescate de 70.000 dinares de ouro segundo uns cronistas contemporáneos, ou 90.000 segundo outros.

Comentário especial merece o termo "Lordomani" da Crónica Albeldense; esta é umha alteraçom ortográfica e fonética do termo "Nordomandi" (normandos) em alusiom aos homes do norte nas crónicas latinas. Mais tamém podemos atopar nas diferentes crónicas latinas as variantes "Laudomani", "Leudomani", "Lodimani"..., incluso existe um documento no que se lhes chega a chamar mesmo "Leodemoniorum" devido á súa fereza.

Por certo; é bem curioso que existira o topónimo de Lordemanos, hoje desaparecido, na beira do rio Ulha segundo tem comentado a  doutora en Estudos Escandinavos pola Universidade de Aberdeen, a ilicitana Irene García Losquiño (sim existe ainda a dia de hoje esse mesmo topónimo em Portugal, perto de Coimbra, chamado Lordemão e numha aldeia da província de Leom chamada Lordemanos).

Em canto ao termo vikingo, "vikingr", nas crónicas nórdicas fai alusiom a umha "professiom" daqueles normandos que, nos meses de primavera e veram, botavam-se ao mar à procura de riquezas alheas noutras latitudes. Em textos rúnicos aparece a frase "fará í víking" (de "vikja"=moverse) co senso de "ir de expediçom". Ainda que outros autores falam que essa palavra podería estar máis relacionada com "víg"=batalha, "vik"=baía ou "wic"=campamento/aldea. Ou poida que todas tenham que ver as umhas coas outras.

Por certo tamém, a moitos bem de seguro soara-lhes esses nomes de Ragnar Lodbrok e Bjørn "Costado de Ferro" pelo achegamento que supuxo á cultura popular a afamada serie de televisom "Vikings" (chea esta, eso si, de "licenças artísticas").

Aproveito eiquí para engadir um apontamento próprio que é pura especulaçom, se é que se me permite jogar um chisco coa imaginaçom: empregando a lógica da estratégia militar e tamém conhecendo um pouco os arredores da cidade medieval de Compostela, nom sería moi arriscado cavilar que estes vikingos de Bjørn empregasem o outeiro conhecido hoje como Carbalheira de Santa Susana, no Parque da Alameda, como lugar de observaçom ou "quartel" geral durante o sítio á cidade, tendo em conta que este outeiro elevado está na entrada á cidade medieval ao carom do caminho natural que vem desde a Ría de Arousa e que desde ele tem-se umha visiom e control perfeito do templo de Santiago e da cidade enteira, e máis cando os seus edifícios eram máis baixos do que os actuais e a cidade amuralhada bastante máis pequena. Se sodes admiradores da personagem de Bjørn Costado de Ferro, tanto da real como da ficçoada na serie de televisom (ou da temárica vikinga em geral) pensade bem nisto á próxima ocasiom que visitedes o parque. Tempo depois, nesta ponto construi-se a primeira fortificaçom defensiva da cidade, hoje desaparecida, vindo dende o oeste.

A terceira e cuarta incursons das que tenhamos novas acontecerom no 951, cando os vikingos voltarom saquear a costa galega obrigando á fortificaçom das cidades e do litoral nos anos seguintes, e no 964 cando o bispo de Mondonhedo (na antiga Sé de San Martinho) Rosendo (Rudesindus Guterri nas crónicas latinas) empregou o seu exército para enfrontalos.

Figura importante este Rosendo (San Rosendo) que, ademáis de bispo e nobre de grande poder, foilhe confiado o goberno dum território que aproximadamente ocuparía á actual Galiza pelo rei Ordoño III "de sorte que todos concorram alí a obedecervos nas cousas do noso serviço e canto disponhades o cumpram sem escusa nengumha". Tam importante foi que chegou a mediar nas loitas pelo trono entre os reis Ordonho IV e Sancho II, coroando a ambos (a cada um no seu intre) na Catedral de Santiago.

E assim aparece de novo o bispo Rosendo como um dos protagonistas na quinta incursom vikinga, que tería ocorrido no ano 968 cando umha frota de 200 navíos ao mando do sækonungr (xefe ou, literalmente, rei do mar) noruegués Guðrǫðr, ou Gundræd, ou Gunderedo, chegarom
até Galiza. Um cento desses barcos atacarom a diócese de Bretonha, mentres que o outro cento internou-se pela Ría de Arousa para desembarcar no porto de "Juncarice" (Xunqueira) coa intençom de caminhar até Compostela mais, ao ser freados pelo exército dirigido pelo nobre e bispo Sisnando Menéndes (morto nesta batalha conhecida como de Fornelos, na contorna de Compostela), rematarom por saquear e queimar vilas e aldeias por toda Galiza durante uns três anos até serem derrotados, cando regressavam ás súas naves co botím e prisioneiros, pelo exército do conde galego Gonçalo Sanches, enviado este pelo bispo Rosendo de Mondonhedo, quem capturou a Gunderedo e ao resto de supervivientes do seu exército e rematou por pasalos a todos pela espada. Por certo, Gunderedo era sobrinho do lendário vikingo Haraldr Blátọnn Gormsson, tamem chamado "blátọnn" ou "Bluetooth" (dente azul) em inglês. Sóavos familiar?

O Chronicon Sampiri, ou Crónica de Sampiro bispo de Astorga, narra o acontecido con Gunderedo na Galiza:
"Anno II regni sui, c classes Normannorum cum rege suo nomine Gunderedo ingresse sunt urbes Gallecie, et strages multas facientes in giro sancti lacobi, episcopum loci illius gladio peremerunt nomine Sisinandum, ac totam Galleciam depredaverunt, usquequo pervenerunt ad Pireneos montes Ezebrarii. Tertio vero anno, remeantibus illis ad propria, Deus quem occulta non latent, retribuit ultionem. Sicut enim illi plebem christianam in captivitatem miserunt, et multos gladio interfecerunt, ita et illi priusquam a finibus Gallecie exirent, multa mala perpessi sunt. Comes namque Guillelmus Sancionis ... exivit cum exercitu magno obviam illis, et cepit preliari cum illis; dedit illi Dominus victoriam, et omnem gentem ipsam simul cum rege suo gladio interfecit, atque classes eorum igne cremavit ..."

Em galego sería "Ano segundo do seu reinado [em alusiom ao rei de Galiza Ramiro III], um cento de naves normandas [dos homes do norte] chegarom ás povoaçoms de Galiza baixo o mandado do seu rei Gunderedo e fixerom moito dano arredor de Santiago. O bispo de Santiago, de nome Sisnando, pereceu pela espada, e toda Galiza saquearom até chegar á "cordilheira" dos montes do Cebreiro. Tras três anos, cando voltavam á súa patria, Deus, para quem nada hai oculto, tomou vingança. E assim como eles tomaram cristiás em cativerio e pasaram a moitos pela espada, tanto sofrimento caiu sobre eles que tiverom que marchar de Galiza. O conde Guillelmus/Gonçalo Sanches [equí pode haber umha confuçom de identidades entre este conde galego e o conde Guillaume ou Guilhermo Sanche de Vasconia, de quem nom existem novas de que estivera nunca na Galiza salvo que vinhera em peregrinaçom a Compostela]... saiu com um grande exército ao seu encontro e loitou contra eles, dando-lhe Deus a victoria, e com a súa espada matóunos a todos, incluído ao seu rei, e queimou as súas naves..."

Um dado curioso nesta história é que os dous bispos galegos que se enfrentarom a Gunderedo eram ferozes inimigos entre eles como consequência da violenta reocupaçom da mitra de Iria Flavia/Compostela por parte de Sisnando depois de que o rei Sancho I o substituira por Rosendo. Conhecida é a "maldiçom" que lhe tirou Rosendo a Sisnando "Qui mihi mortifero gladio Sisnando niinaris mortifero gladio violenter confodiaris" (ti, Sisnando, que com mortífera espada me ameaças, com mortífera espada serás atravessado violentamente). E semelha que atinou de cheo (outros dim que Sisnando morreu ao ser a súa gorxa atravessada por umha frecha), ainda que coido que nom era moi difícil que o Sisnando atopa-se a morte deste jeito tendo em conta o seu carácter afoutado e temerário (moi belicoso, fijo-se cargo da defensa da costa galega no "mar de Compostela" restaurando e reforzando torres como a de A Lançada no Grove ou a de San Sadurninho em Cambados, e chegou a ser encarcerado por se rebelar contra o rei Sancho I, pelo que perdeu a mitra de Iria Flavia/Compostela que depois recuperaría de jeito violento).

Seja ou nom a morte de Sisnando provocada por umha maldiçom, o que si é certo é que os vikingos definíanse pela súa violência e por serem oportunistas, aproveitando todas as circunstâncias que lhes foram favoráveis numha incursom como puideram ser as liortas entre senhores locais; e iste foi o caso.

Da história de Gunderedo tem-se tirado tamém umha famosa teoría que se podería chamar "Teoría dos Gunderedos" ou "Lenda dos Gunderedos", que se pode rastrexar até, cando menos, o século XVII e que vem a dizer que alguns dos vikingos de Gunderedo teriam sobrevivido, ao nom enfrentar-se ao conde Gonçalo Sanches, estabelecendo-se definitivamente na Galiza. Destes "gunderedos" tiraría-se o emprego deste nome latinizado durante moito tempo na Galiza e mais depois em Portugal.

No 1014, liderados segundo a saga islandesa "Heimskringla" por Olav Tryggvason (ou Olaf Haraldson, ou rei Olaf I pois chegou a ser rei de Noruega, ou San Olaf pois chegou convertirse ao cristianismo e ser elevado aos altares pela Igreja), os vikingos atacarom povoaçons do Reino de Galiza como Castropol (chamada Grislupollar na Saga Heimskingla), Betanços (chamada Fetlafjord -"o fiordo de Fleta"- na Heimskingla), Ribas de Sil (Seljupollar -"pollar"=esteiro ou embocadura dum rio- na Heimskingla) e Tui (Gunnvaldsborg na Heimskingla), cidade na que, trás massacrar ao exército defensor, arrasarom levando preso, entre outros cidadans, ao bispo Afonso.

O por que Tui era chamada co curioso nome de "Gunnvaldsborg" (a cidade de Gundisalviz) na Saga nórdica é devido à provável referência a que Tui atopava-se dentro dos domínios do "dux" galego Menendus Gundisalviz "Menendus dux Gallecie", chamado em galego Menendo Gonçalves, Conde tamém de Portucale "Menendus Gundisaluiz comes" entre o 997 e o 1008, alférez do rei de Galiza Vermudo II ("Regnante Veremudo rex in Galezia"), titor e Maior ("senatus") do rei de Galiza Afonso V "Rex Gallitianus Adefonsus" e avó dos reis de Galiza Vermudo III ("imperator domnus Veremudius in Gallecia") e Sancha I ("imperatrice uxori Santia erigatur, et semper in regno Gallicie eorum sobolis dominetur").

Segundo o "Chronicon Lusitanum", Menendo faleceu traiçoado mentres loitava contra os vikingos (dado este último aportado pelo historiador francés  Pierre David), o 6 de Outubro de 1008 nas terras situadas entre o Minho e o Douro, sendo suspeitoso de manda-lo assassinar o conde Munio Fernández co obxectivo de usurpar a regência de Afonso V. Um home, pois, bem importante e poderoso cuja fama chegou, deste jeito, ás sagas normandas.

Segundo Murgia, misturando história e lenda, Olaf empregou a Ilha de Cortegada, na Ría de Arousa, como base e refúgio para poder atacar Compostela e mais outros pontos da Galiza. E, segundo as crónicas, trás ascender pelo Minho "flavium quod Mineum vocatur per quod Sarraceni et Normanni frequentis solebat intrare", Olaf atacou a Sé episcopal tudense causando grandes danos na cidade e mais na contorna. O rescate do bispo e outros nobres costou 12.000 pezas de ouro e Tui deixou de ser um núcleo comercial em torno ao seu porto fluvial ademáis de perder a Sé episcopal que, trâ-lo desastre, quedou unida á de Santiago de Compostela durante case sesenta anos. Umha crónica do ano 1024 fala-os disto: "Tudensis sedes post Normannorum vastationem Ecclesiae Divi Jacobi attributa" que se traduziria ao galego como: "A Sé de Tui foi asignada à igreja de Santiago depois de ser devastada pelos homes do norte".

E a "Saga Olafs hin helga" (umha das partes do "Heimskingla")
tamém nos conta que "Despois disto, continuou o rei Olav cara o Sul [...] alí conquistou a cidade chamada Gunnvaldsborg, que era grande e antiga, e aló fixo prisioneiro ao conde que era dono da cidade e que se chamaba Geirfinnc. Alí O rei Olav falou cos habitantes da cidade; fixo-lhes pagar á cidade e mais ao conde doce mil moedas contantes de ouro, e levou-se todo o botim que puido"

Depois de arrasar Tui, Olaf seguiu subindo polo Minho e o Sil atacando mosteiros e povoados ao seu passo até chegar á lonxana localidade de Ribas de Sil.

A incursom máis prolongada no tempo tivo lugar aproximadamente entre os anos 1028 e 1047, nos tempos do Rei de Galiza Vermudo III ("imperator domnus Vermudus in Gallecia"), cando um exército vikingo conduzido pelo famoso e combativo "jarl" (conde) dinamarquês conhecido como Ulf, ou Ulv, Galiciefarer ou Galicieulv (O Lobo Galego) ou, simplesmente, Ulf O Galego, percorreu Galiza durante ums 19 anos até que finalmente, tras subir pola Ría de Arousa, foi rejeitado pelas tropas do bispo Cresconio de Iria Flavia/Compostela. Na fugida ainda lhe dou tempo de atacar Redondela e mais vários mosteiros.

Era este Cresconio um persoeiro de nobre linhagem, moi beligerante e que chegou a criar e formar um importante e combativo exército e mesmo asumir o liderazgo da nobreza galega. Educou ao futuro rei García II de Galiza, a quem tamém coroou em Compostela; loitou contra a corrupçom nos seus domínios; ordeou a apertura de escolas nas igrejas; os bispos de Lugo, Dumio, Oviedo e Porto reconheciam a súa autoridade e, a pesares de ser excomungado pelo Papa Leon IX, ele continuou empregando o título de Bispo da Sé apostólica. Com bo mastím dera o Lobo de Galiza. (O que nom gosta tanto do Cresconio é que combateu as crenzas pagás galaicas; mais ninguém é perfeito, e Cresconio era Bispo e nom Santo).

A saga nórdica chamada "Jómsvíkíngasaga ok Knytlínga saga" fálanos de estancia de Ulf na Galiza dicindo-nos que "Ülfr, hann var jarl i Danmörk, hann var her-mathr mikill; hann fór í vestrviking ok vann Galizuland ok eyddi okgerthi thar mikinn hernath: thví var hann kallathr Galizu-Ülfr."

Em galego: "Ulf, era um conde em Dinamarca, um grande loitador, foi pelo caminho do oeste e conquistou Galiza e saqueou-na e fixo aló um grande botím de guerra; por isso chamava-se-lhe Galizu-Úlfr, -O Lobo de Galiza-".

Tal fama deveu ter este "vikingo galego", avó de Valdemar O Grande, Rei de Dinamarca, que séculos depois ainda aparece nas crónicas co seu alcume, como acontece na "Gesta Danorum", escrita no 1219 pelo grande historiador dinamarquês Saxo Grammaticus (umha das súas sagas foi a que lhe serviu de inspiraçom a Shakespeare para o seu "Hamlet"). Nela, Saxo nomea a umha tal "coniuge Botilda auae Ulvoni Gallitiano"; na nossa linguagem: "Botilda a esposa de Ulv o galego".

No ano 2016, "National Geographic" publicava umha nova sobre a redescoberta de moi provável tomba deste Ulf, O Galego, em Dinamarca que fora atopada, inicialmente, á volta de 1951 com motivo das obras dunha estrada.

E ja por último, no ano 1066, o mesmo bispo Cresconio, quem fortalecera a Ría de Arousa reformando e fortificando ainda máis o famoso Castellum Honesti (Torres do Oste ou de Catoira), tivo que reijeitar umha máis vez aos vikingos puidendo ser esta a última incursom (ainda que é bem possível que a começos do século XII producira-se algum ataque ilhado de menor escala).

Por certo; Cresconio morreu nesse mesmo ano 1066 e hai quem di que foi soterrado no Castellum Honesti. Em primeira fila da defensa de Galiza até de morto.

Porém, houbo máis incursions entremedias destas referidas. Assím temos crónicas que falam de que no ano 910 os habitantes da área de Lugo pidem ajuda e permisso ao rei para fortificar vilas e aldeias em perigo, ou de ataques sucessivos nos anos 960, 965, 966 e 967 (possivelmente todos eles a menor escala), ou um suposto ataque moi violento e prolongado por volta de 1086, em Sada, ainda que nom se sabe moito máis sobre ele e hai autores que nom acreditam se realmente aconteceu ou se foi um ataque moito anterior á data referida, pois é um feito recolhido num documento moi tardio.

Mais, como já tenho comentado noutras ocasions, as interaçons galaico-vikingas nom só se reducem à consabida típica incursom "de saqueo" senom que tamém houvo contactos comerciais e acordos de colaboraçom entre senhores locais e mercenários vikingos. Assim aconteceu co próprio Ulf O Lobo Galego, quem semelha liderar (pela data do sucesso) um grupo de mercenários contratado pelo conde galego Rodrigo Romariz para loitar contra um pequeno exército de belicosos e criminais vascons assentados em terras galegas numha fortificaçom, hoje já desaparecida, chamada Alpes Rupis (Monte Rupis) perto da cidade de Lugo. Umha personagem digna tamém dumha boa série de televisom este Ulf O Galego.

Ainda que nom se menciona ao Lobo de Galiza, num documento de doazom do "Castro Lapio" (em Labio, Lugo) ao bispo de Lugo no ano de 1032 e que atopamos recolhido no apéndice XXV do tomo XL da "España Sagrada" do frade agustino Enrique Flórez (século XVIII), o próprio rei Vermudo III conta o acontecido (os vascons, possívelmente enviados à Galiza pelo rei Sancho III de Navarra no enfrontamento com Vermudo pelo controlo de Castela, cometiam saqueos, raptos e assassinatos na contorna):

"Ego vero Veremundus Rex Prolis Adephonsi ab omnipotenti Deo erectus in Regno, iterum habuit Comes Rudericos Romaniz Suprinus ipsius Suarius Gundemariz, Consilio agitato cum Vascones Galleciæ, & rebellavit nobis, sicut auditur a multis commaneret.
In ipsius quoque diebus coadunaverunt se Abbates, & Monachos, & omnem plebem Sanctae Mariæ & querellaverunt se ad ipse Comes de Vascones, qui sedebant in ipsa peña dicentes, quod habebant de illos grande dampno, & malfacturia in Eclesias [...] & homicidios, & furtos, & eorum erat illa terra herma, & desolata. Tunc vero coadunavit seipse Comes cum omnes suos Barones, & cum Gens Leodomanorum & cerravit ipsa penna, & pressit ea per fortia, & cremavit, & solavit ea"

Traído ao galego: "Eu, em verdade rei Vermudo, da prole de Afonso, sendo erigido no Reino por Deus Todopoderoso, tivem de novo ao conde Rodrigo Romaniz, sobrinho do mesmo Suero Gundemariz, numha agitada deliberaçom contra os vascons na Galiza, revelando-se contra nós como moitos escoitarom que ele ordeara. Naqueles dias aliarom-se tamém os abades e monges e todo o povo de Santa Maria (Santa Maria de Báscuas, Lugo) e queixarom-se dos vascons, que estavan asentados no mesmo penedo, ao mesmo conde, dizindo que tinham grandes perdas devido a eles, e maldades nas igrejas [...] e assassinatos e roubos, e súa era aquela terra estéril e desolada. Entom, o conde reuniu-se com todos os seus barons e co povo/naçom/clan dos Normandos e cercou o mesmo penedo e pressionou-nos com força, queimou-nos e arrasou-nos".

Moitos anos depois, e já fora da era vikinga, temos novas do rei Sigurdr de Noruega, instalado durante o inverno de 1112 em Compostela, colaborando co conde de Traba e mais co bispo Diego Gelmirez.

Agás no primeiro ataque do ano 844, os vikingos como Bjørk Jærnside, Guðrǫðr, Galiciefarer ou o rei Olaf sabiam bem onde vinham. Nom chegabam até eiquí a tentas, sabiam bem que tinham que chegar até a costa atlántica, concretamente até o Minho para ir ao interior ou até a Ría de Arousa para subir até Compostela, onde eram gardados os tesouros de Santiago de Galiza, que era como se lhe conhecía ao Santo. A intençom dos vikingos nom era atacar á cabeceira política ou monárquica do Reino de Galiza, situada daquela e até começos do século X en Oviedo e depois en Leom ("Ouetum ciuitas Galleciæ olim regia fundata regnante Sylone Rege Galleciaæ in monte Oueto [...] Principes Galleciæ sedem transtulerunt Legione" -Oviedo, cidade rexia de Galicia fundada baixo o reinado de Silo, rei de Galicia, en monte Oviedo [...] Os príncipes de Galicia trasladaron a súa sede a León- Papa Honorio III, Arquivo Jurídico do Vaticano), nem tampouco atacar o pouco tentador territorio arredor destas dúas cidades régias, senom atacar á capital político-religiosa, Santiago de Compostela, e as terras daquela Galiza chea de vilas e mosteiros onde se atopavam as máis grandes riquezas e tesouros. (Ainda que, por suposto, a costa asturiana tamem sufriu ataques de caminho como ocorreu nunha ocasiom coa vila de Gijom no 844, porém os historiadores duvidam de que fora umha expediçom planificada sendo aquela umha pequena vila de pescadores e sim, máis bem, simplesmente um ataque xurdido da causalidade e o aproveitamento da ocasiom ao verem-se, os vikingos, arrastrados por umha tormenta até aló. E, como comentei, se algo eram os vikingos, como expliquei, é oportunistas).

Deste jeito, e como já tamém comentei nalgumha outra ocasiom, as crónicas nórdicas nom fam mençom nunca a Asturias, Oviedo ou Leom; senom que é o nome de Galiza o que aparece referido com diversas variantes como Galizland, Galizuland, Galiscia, Galiz, Galiciam e mesmo Galicia e Galiza.. ademáis de Jackobsland e Jakobsland (terra de Jacobe ou Santiago) em, cando menos, 14 sagas sempre como umha entidade diferenciada, como tamém acontece em crónicas latinas e árabes, do que eles nomeam como Hispania, Hispanialand, Ispanialand, Span, Spanland, Spann, Spania, Spanialand ou Spani, e facendo referência a um território galego moito máis extenso co da Galiza actual. Assim, a "Gydinga saga" fala três vezes de "Spania ok Galizuland" (Espanha e Galiza); no prólogo da "Tveggia Postola saga Jons ok Jakobs" e mais tamém no "Af Agulando Konungi" pode-se ler "Hispania ok Galicia" (Galicia, textualmente); na islandesa "Tristrams saga" distingue-se entre "Spania" e "Jakobsland"; e no manuscrito AM 194 da Biblioteca Real de Copenhague, conhecida como Coleccom Arnamagnaense, lemos que "Em Espanha repousa o corpo de San Vicente e na Galiza o do Apóstolo Santiago".

Outros exemplos de mençons á Galiza témolos na "Orknøboernes Saga", por citar algum, onde se fala de "Galicien"; ou na "Saga Sigurðar Jorsalafara" onde o seu autor Snorri Sturluson, um islandês considerado um dos escritores máis importantes da Europa medieval, fala de "Galizuland". Ou na "Játvardar Saga" onde tamém falam da "Galizuland", o mesmo que acontece na "Orkneyinga Saga" ou no conjunto de varias sagas conhecido como o "Heimskringla". E assim até chegar á, para nós tam interessante, "Jómsvíkíngasaga ok Knytlínga" onde temos aquel texto que falava do nosso amigo Ulf, O Lobo de Galiza.

Nom podemos esquecer, tampouco o gra número de Sagas que fam mençom a peregrinaçons cara Jakobsland e crónicas de viagens similares ao noroeste peninsular umha vez rematada a era vikinga.

Assim pois, longe do que moitos querem fazer ver; Galiza foi umha das partes máis conhecidas da Península Ibérica (senóm a que máis) no imaginário nórdico; foi tamén o território peninsular máis citado en sagas e tamém máis literaturizado. Consideravam ao território galego como um dos máis ricos e importantes, chegando-se a fazer moi popular em toda Europa, especialmente entre francos, normandos (de Normandía) e germanos, um juramento que foi recolhido na famosa Cançom de Roldan (cujo origiem está no século XI pois já os normandos cantabam-na durante a batalha de Hastings no ano 1066), e á cal se lhe forom engadindo versos até a versiom final recolhida no Manuscrito de Oxford (escrito em anglo-normando no século XII), e no que na súa versom máis conhecida, "La Chanson de Roland",  vinha a dizer (nom aparece na versom original do século XI): "trestut l'or de Galice" que traduzido sería "([nem] por todo o ouro de Galiza"; umha antiga versom do nosso "nem por todo o ouro/dinheiro do mundo'' (aparece tamém umha versom desta expressom, por exemplo, na "Elís saga og Rósamundu", cando no capítulo 2 dise em nórdico antigo "Non quixera eu tal cousa em ningún modo por todo o ouro de Jakobsland"). Isto tira por terra o falso argumento da historiografía espanhola tradicional que inventa umha Galiza historicamente pobre e ilhada do resto do mundo.



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